01/12/2009

Yoga Sutra

A obra clássica de Patañjali, com comentários de Swami Prabhavananda e Christopher Isherwood, disponível para download. O livro foi originalmente publicado sob o título “Como conhecer Deus”, pela extensão dos comentários de Prabhavananda e de Isherwood e pelo fato deles não se limitarem à tradição do yoga.

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Outros ebooks aqui.

28/11/2009

O que é Hatha Yoga – IV

yoga mix
Ah, sim, tem yoga ali no meio

Eu fico encafifado quando pessoas dizem que “yoga é união”. Geralmente isso é dito em resposta a perguntas simples, como “o que é yoga?” — oras, “yoga é união”, ponto — ou para justificar a inclusão de práticas estranhas à tradição do yoga, como o budismo, terapias alternativas ou coisas definitivamente exóticas.

Eu não sou um purista. O pouco que pude estudar até agora me diz que aquilo que chamamos hoje de tradição do yoga não é tão tradicional que não permita agregar práticas exóticas ao yoga. Há, por exemplo, fortes indícios de que o que se pratica hoje foi influenciado por uma prática indiana chamada Mallakhamb e pela ginástica militar indiana do séc. XIX. E, se retornarmos a Patañjali, é fácil perceber que o que se pratica hoje quase nada tem a ver com o que o sábio pretendeu transmitir em seu sutra. Até aí, nenhum problema sério, já que as práticas são benéficas para a maioria das pessoas.

O problema é chamar as coisas pelos nomes errados. Se você chamar o João de Pedro ou de brócolis, ele não vai gostar. Acho importante ter precisão no uso das palavras e analisar com serenidade o que a palavra “yoga” realmente pode significar e o que é a “união” que tantas pessoas associam ao yoga.

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26/11/2009

Assine o blog

Adicionei hoje a este blog o novo recurso do WordPress, que permite ao leitor assinar as atualizações e recebê-las diretamente em seu email.

É bem simples. No menu ao lado o leitor verá o campo Assine o blog. Basta adicionar seu endereço de email e confirmar. A partir daí você receberá em seu email os próximos posts que publicarei neste blog.

Obrigado a todos.

21/11/2009

Atma Bodha, Shankara

shankara

Nota do webmaster: Texto traduzido e editado por Sripad Râmdâs Prabhu. Lido primeiro aqui. A versão original em sânscrito, com translitereção Itrans, pode ser lida aqui. O texto original em devanagari pode ser baixado aqui.

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1. Eu componho este âtma-bodha (conhecimento do eu) para servir às necessidades daqueles que, havendo-se purificado através da prática de austeridades, e havendo adquirido paz no coração, carecem de desejos e almejam a Liberação (moksha).

2. Como o fogo é a causa da cocção, assim o conhecimento (jñana), e nenhuma outra forma de disciplina, é a causa direta da Liberação. Porque a Liberação não pode ser obtida sem conhecimento.

3. A ação não pode destruir a ignorância porque a primeira não está em conflito com a segunda. Tão somente o conhecimento é capaz de destruir a ignorância, assim como somente a luz é capaz de destruir a densa escuridão.

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16/11/2009

O que é Hatha Yoga – III

meditation

“O yoga não estabelece valores sociais, pois é um conjunto de orientações voltadas para o indivíduo em busca de si mesmo.” — Carlos Eduardo Gonçalves Barbosa, Livro de Ouro do Yoga, p. 264.

Este é o tipo de informação que deveria ser repetida o tempo todo, em especial a todos aqueles que vinculam o yoga a vários tipos de ação social: ambientalismo, vegetarianismo, voluntariado, igualitarismo, ações afirmativas, entre tantos outros tipos de ativismo.

Claro, claro, todas estas coisas podem ser boas, mas ainda melhor é saber até que ponto elas estão relacionadas com o yoga. O fato de algumas delas (como o vegetarianismo) fazerem parte dos hábitos de muitos praticantes de yoga não diz nada sobre o yoga, diz apenas sobre estas pessoas e sobre como elas compreendem o yoga. Quando “boas ações” são colocadas acima do propósito original do yoga — v. Patañjali e Svatmarama — ou, ainda, quando são vistas como meios para obter esse propósito, cria-se uma inversão perigosa. A partir daí o indivíduo acreditará que a ação realmente é um meio de se atingir o objetivo do yoga — crença esta que, no limite, cria verdadeiros “bazares kármicos”.

Não é uma questão de estabelecer o que o yoga é — embora isto seja possível –, mas sobretudo de saber o que o yoga não é. Também não é uma questão de fazer juízo sobre quem se dedica a boas ações, porque é possível que haja santos genuínos entre elas. Não pretendo me arrogar uma autoridade maior do que a que essas pessoas possuem, principalmente porque não tenho nenhuma autoridade para definir o que quer que seja. Meu objetivo aqui é trazer à tona o trabalho e as lições de pessoas que realmente encontraram o significado do yoga antes de buscá-lo entre o vasto leque de valores e ações sociais.

Em outras palavras, a pergunta essencial é: o que diferencia o santo que realiza boas ações e o praticante comum que realiza as mesmas ações? Pode-se dizer que não há diferença alguma, visto que as ações e os resultados das ações de ambos são os mesmos, mas esta seria uma resposta muito ingênua.

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07/11/2009

O que é Hatha Yoga – II

monge
Praticando yoga — cada instante de sua vida.

Yoga não é sobre “o que”, mas sobre “como”.

A frase acima não é minha. Infelizmente não lembro onde a li (se alguém souber, seja bem-vindo para indicar a referência na caixa de comentários). Só sei que se trata de uma frase genial, que explica muito falando muito pouco.

Lembremos, por exemplo, que o Yoga Sutra praticamente não fala de asanas — Patañjali menciona apenas os asanas para meditação. As escrituras específicas do Hatha Yoga mencionam mais asanas, mas as explicações são breves, às vezes enigmáticas. Ao fazer a síntese dessas leituras e ao aproximá-las da prática rotineira, qualquer estudante poderá notar que — como dizia a frase do início — não importa qual é a prática, importa como é a prática.

Obviamente, continuo achando vinyasa algo muito divertido e continuo gostando de uma prática de asanas intensa em dias quentes, que fazem transpirar abundantemente e deixam os músculos e tendões mais soltos. Mas se você realiza diariamente uma prática intensa de três horas ou se apenas medita por cinco minutos pela manhã ou se é apenas um entusiasta dos ensinamentos escritos de alguns yogis, pouco importa. Importa que essas práticas — umas mais físicas, outras mais introspectivas — sejam yoga.

Um de meus professores de aikido dizia algo muito parecido com a frase que iniciou este post:

Sabem por que eu sei mais aikido que vocês? Porque eu acordo aikido, bebo aikido, respiro aikido, ando aikido, penso aikido e durmo aikido.

E aikido, na frase acima, é advérbio, não objeto. É “como”, não “o que”. Morihei Ueshiba, o fundador do aikido, queria dizer a mesma coisa com a frase seguinte (que pode ser apócrifa, mas que é tão bela quanto aquela frase sobre yoga):

Sempre que eu me movo, isso é aikido.

E estas idéias, claro, valem para o yoga. Yoga não é algo que você faz quando está numa escola ou estúdio diante de um professor, embora isso possa estar incluído em seu sadhana. Yoga é o que você faz o tempo todo. E se preparar o café da manhã, varrer o chão, colocar o lixo para fora e tomar banho não são práticas habituais nas aulas de yoga, logo yoga é a forma como você faz todas essas coisas que na aparência não são yoga.

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03/11/2009

Nina Hagen

nina hagen

Quem acompanhou o rock brasileiro dos anos 80 deve se lembrar de Supla cantando a música Garota de Berlim. Essa música contou com a participação de uma certa Nina Hagen, artista difícil de definir, que começou com canto lírico e descambou para o rock, com passagens performáticas pelo punk e outros gêneros ainda mais exóticos.

Em 1999, quase 15 anos depois de Garota de Berlim, Nina Hagen gravou o ótimo Om Namah Shivay!, um álbum só com mantras — merece destaque neste álbum sua versão do Gayatri Mantra, que é muito interessante. Caso queira ouvir só este mantra, vá ao YouTube. Para baixar e ouvir o CD todo, clique aqui.

Nina Hagen tem um vozeirão.

28/10/2009

O que é Hatha Yoga


Isto lhe parece suficientemente relaxante?

Definições Desinformações colhidas na internet:

    1

    [o hatha yoga] é normalmente mais passivo, exige permanências em posturas por períodos mais longos e é fisicamente menos exigente do que estilos dinâmicos. Normalmente a atenção é concentrada na meditação e na respiração lenta. (link)

    2

    [o hatha yoga] é geralmente o nível mais fácil do yoga, próprio para iniciantes. [Com o hatha yoga] Você aprenderá as principais posturas do yoga e terá o tempo necessário para encontrar o alinhamento adequado para cada postura, que é sustentada por várias respirações. O hatha yoga não é muito forte e pode ser uma boa forma de iniciar-se no yoga. (link)

    3

    Este tipo de aula [de hatha yoga] tem ritmo lento e gentil e é bom para iniciantes, mulheres grávidas e pessoas de todas as idades. É o tipo mais básico de yoga ensinado em academias e espaços de terapias corporais. (link)

    4

    [O hatha yoga é] A ioga tradicional. Ela combina relaxamento, meditação, técnicas de respiração com alongamentos em proporções equivalentes. Recomendada para: pessoas de todas as idades, de ambos os sexos, mesmo que tenham problemas de saúde. (link)

    5

    – O que é: trata-se da linha tradicional, da qual derivou a maior parte das outras modalidades de ioga. É uma aula lenta, que dá ênfase aos exercícios simples de respiração, ao relaxamento e à meditação. A sequência de posturas equilibra força e flexibilidade, de acordo com as necessidades dos alunos.
    – Grau de dificuldade: baixo. As classes podem ter níveis mais avançados, mas, ainda assim, a aula não exige muito esforço do praticante.
    – Para quem é mais indicada: para quem está começando a praticar ioga ou para quem quer se dedicar mais à meditação.
    – Comentário: se você é do tipo que busca o ritmo frenético de academia em uma aula de ioga, esqueça. Essa é uma atividade leve, para não dizer levíssima. Pode ser lenta demais para quem almeja exercícios atléticos ou vigorosos.
    (link)

    6

    Características do Hatha Yoga:
    – os asanas são sempre repetidos por várias vezes
    – não há regras de execução
    – não há passagens coordenadas de um asana a outro
    – não tem como objetivo o samadhi, por isso as maiores autoridades ortodoxas não consideram o hatha como yoga
    (link)

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23/10/2009

Vegetarianismo: prática yogi?

vegetarianismo yoga

O objetivo deste texto é discutir as ligações do vegetarianismo com o yoga. Não pretendo discutir as diferentes linhas do vegetarianismo; no que diz respeito ao yoga, é suficiente considerar vegetariano toda e qualquer pessoa que exclua a carne de sua alimentação cotidiana, seja qual for sua origem (boi, peixes ou aves). Ovolactovegetarianos e frugivoristas, dois extremos do vegetarianismo, coincidem neste ponto, apenas para deixar as coisas mais claras.

O vegetarianismo tornou-se, sem dúvida, um tema espinhoso. Mais do que simples opção alimentar, trata-se também de uma ideologia. Muitas pessoas levam muito a sério a máxima que diz que “você é o que você come”, em especial os vegetarianos. O veganismo, como é conhecido o ativismo vegetariano, usa argumentos de ordem ética e filosófica para defender a exclusão da carne da alimentação cotidiana. Não são poucos os que fazem essa defesa de forma virulenta e também não são poucos os que trazem isso tudo — vegetarianismo, ideologia e virulência — para dentro do yoga.

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15/10/2009

Vegetarianismo

salad

Como vocês podem notar, criei na barra lateral deste blog uma enquete sobre vegetarianismo. Pretendo em breve tratar do assunto, visto que entre muitos praticantes de yoga o vegetarianismo é encarado como obrigação e é associado a ahimsa, o princípio yogi de não-violência — só por esta frase é fácil notar que o tema pode ser bem mais complexo do que apenas comer ou não comer carne.

Além disso, sei que o vegetarianismo tem nuances — frugivorismo, ovolactovegetarianismo, veganismo, crudivorismo etc. — e a enquete acaba sendo bem mais simples do que isso. Por isso, fiquem à vontade para comentar o assunto e seu voto na área de comentários deste post.

Obrigado a todos.